Misoginia, Machosfera, Red Pill e extrema direita: em que tudo isso se relaciona com a epidemia de feminicídio no Brasil?
Sindjufe-BA debate esses temas, cobra mais ações contra violência de gênero e elege representantes para encontro nacional de mulheres da FENAJUFE
O Núcleo de Combate às Opressões do Sindjufe-BA realizou, nesta quarta-feira (9), reunião preparatória para o Encontro Nacional de Mulheres, convocado pela Fenajufe, nos dias 24 e 25 de abril. A atividade foi mediada pela dirigente Denise Carneiro, que também participará do encontro em Brasília como representante da Federação.
No evento, Denise falou sobre a epidemia de feminicídio e violência de gênero no Brasil, relacionando os fenômenos com a “machosfera”, um espaço on line composto por fóruns que promovem discursos misóginos e a masculinidade tóxica. O movimento “Red Pill” e “Incel” defendem a supremacia masculina e submissão forçada da mulher. Tudo isso navega sem controle graças à interdição que a extrema direita pratica contra qualquer iniciativa de fiscalização e controle das redes sociais e impede aprovação de projetos de proteção à mulher.
“O movimento Red Pill não promove um despertar de consciência, como dizem, e sim uma ideologia misógina de homens infelizes que jogam nas mulheres a culpa pela sua incapacidade”, afirmou. Em sua análise, essas ideias ajudam a naturalizar a violência e, muitas vezes, circulam até em espaços que deveriam combatê-la, como as escolas. A dirigente também apresentou dados recentes sobre feminicídio no Brasil, que acumulam os piores índices da última década. No país, uma mulher é morta a cada seis horas. Em 2025, foram registrados 1.568 casos, número que pode ser ainda maior diante da subnotificação.
Denise criticou o engavetamento do PL da Misoginia (Projeto de Lei 896/2023), já aprovado no Senado, que equipara esse tipo de violência ao crime de racismo. “É hora de um movimento forte, de ganhar as ruas. Foi isso o que barrou o PL do estuprador”, disse, ao citar o Projeto de Lei 1904/2024, que gerou forte rejeição popular ao tentar equiparar o aborto após 22 semanas ao crime de homicídio, atingindo inclusive vítimas de estupro, entre elas crianças.
Eleição e propostas
Na reunião, foram eleitas representantes para o Encontro Nacional. As servidoras Cátia Soares e Doris Fernandes irão para Brasília e as servidorasFernanda Portela, Paula Moura e Benedita Noemi, dirigente do Sindjufe-BA, acompanharão de forma remota. Em sua fala, Cátia afirmou que “a luta contra a violência tem que ser constante e organizada, um compromisso de todo mundo”. Ao compartilhar sua experiência como vítima de violência doméstica, a servidora reforçou a importância do engajamento coletivo.
Entre as propostas, Selma Coelho sugeriu uma campanha do Sindjufe-BA contra o arquivamento do PL da Misoginia. Já Doris Fernandes propôs rodas de conversa e medidas de proteção institucional, como licença para vítimas, flexibilização de jornada, mudança de setor, sigilo e apoio psicológico. Também defendeu parcerias com Delegacias da Mulher, defensorias, centros de referência e abrigos. Denise ainda defendeu que o combate se dê em todos os espaços. Na Plenária da FENAJUFE, que será em Salvador, ela defendeu que haja protocolo de expulsão de assediadores.
Este deve ser um assunto dos homens
O debate marcou a necessidade de maior envolvimento dos homens no enfrentamento à violência. O dirigente Gesner Braga afirmou que “é uma tarefa mais árdua do que a gente imagina e que requer uma revolução na cultura e na educação”.
Na mesma linha, o dirigente Sandro Sales disse que é preciso enfrentar a ideia de que mulheres representam uma ameaça para os cargos e espaços ocupados pelos homens. “A gente não pode aceitar essa narrativa”, afirmou. Ele observou que mulheres são vítimas de violência e seguem em desvantagem nos espaços de poder e liderança, majoritariamente ocupados por homens. Jailson Lage acrescentou que, além de dar visibilidade aos casos de violência, é necessário ampliar o investimento em campanhas de orientação para servidores e para a população em geral.
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