Encontro do Sindjufe-BA discute questões dos servidores com deficiência, mulheres e LGBTQIAPN+
Na noite desta segunda (24), o Núcleo de Combate às Opressões e o Núcleo de Pessoas com Deficiência do Sindjufe-BA se reuniram para tratar de demandas específicas dos servidores com deficiência, LGBTQIAPN+ e mulheres.
A reunião contou com falas contundentes dos servidores Rita Souza, representante das trabalhadoras e trabalhadores PCD no TRE-BA, Fabiano dos Santos, à frente do Coletivo LGBTQIAPN+ do Sintrajud-SP, e Janiere Portela, que também atua no TRE-BA e pesquisa gênero e interseccionalidades. Pelo Sindjufe-BA, estiveram presentes os dirigentes Sandro Sales e Denise Carneiro.
Denise lembrou que o sistema capitalista vive das opressões e que é papel do sindicato organizar a luta dos segmentos que sentem a discriminação na pele de modo mais evidente. Sandro lembrou que as chamadas minorias são na realidade maioria entre a população brasileira. “Na nossa sociedade, os únicos que não sofrem as opressões são os homens héteros, brancos, sem deficiência e jovens”.
Rita começou a sua fala lembrando que todos nós precisamos estar atentos às questões de acessibilidade. “Todo mundo quer envelhecer, e com o envelhecimento, vem a maior necessidade de acessibilidade. Não dá para pensar o PCD como o outro. Nós somos o próprio outro”. A servidora também discutiu a aposentadoria com integralidade para PCDs. “Trabalhamos com muito mais dificuldade, não é justo que a gente tenha que aguardar a idade geral para ter a integralidade”.
Presente ao encontro, uma servidora do TRT denunciou que o órgão não cumpre a exigência legal de trabalhadores com deficiência e que não convocou a lista de PCDs aprovados no último concurso. De acordo com um levantamento da servidora, há apenas 150 PCDs atuando no órgão, num universo de 3.200 trabalhadores. O sindicato irá analisar juridicamente a questão.
Tratando sobre a questão da violência contra as mulheres, Janiere ressaltou que apesar dos avanços legais, como a recente decisão do STF de estender as medidas protetivas da Lei Maria da Penha a mulheres que não têm relação afetiva com seus agressores e o aumento da pena de feminicídio para 40 anos, o Brasil ainda vive um genocídio de mulheres, com um aumento do número de mortes. Janiere também lembrou que as mulheres são as principais vítimas de violência eleitoral, e reforçou os canais de atendimento disponíveis no TRE.
Fabiano, por sua vez, contou da experiência do Coletivo LGBTQIAPN+ criado no Sintrajud no ano passado, durante a realização da Parada Gay de São Paulo. “Fizemos uma oficina de cartazes que repercutiu muito nas redes sociais. Este ano, participamos já na programação oficial do evento. E recentemente promovemos um debate sobre a vivência LGBTQIAPN+ no espaço sindical e no mundo do trabalho. Quando os sindicatos tratam de questões de raça, deficiência, gênero, sexualidade, estamos falando das nossas vidas, que são colocadas em xeque todos os dias. Precisamos ser um espaço de construção das lutas para enfrentar as opressões”.
Ao final do encontro, foi definida uma atividade reunindo todos os segmentos minorizados da categoria, em data a ser divulgada em breve, e eleitos os participantes da reunião do Coletivo Nacional da Fenajufe de Pessoas com Deficiência do PJU e MPU, que será realizado no dia 26 em Brasília. As servidoras Rita Souza e Mariana Santos irão participar do evento, de forma remota.
Fortaleça as lutas da categoria. Filie-se!
Sindjufe-BA – Gestão Unidade na Resistência