Scroll Top

HOME

Onde as pedras caem...
29/01/2019

 

                   

Nessa coluna pretendo compartilhar com os colegas alguns assuntos do nosso cotidiano, alguns atuais e outros nem tanto, mas que emergiram do poço histórico, içados por essa mentalidade caricata cujo representante maior senta hoje na cadeira presidencial. Pouco mais de 1/3 dos eleitores brasileiros giraram a manivela da linha do tempo nos catapultando ao passado. Sim, ele é o presidente, pois conseguiu maioria “dos votos válidos”. Mas o bálsamo é ver que a maioria da população não concorda com o que figura anacrônica quer impor aos brasileiros e brasileiras. Nos artigos pretendo aprofundar mediamente cada tema em um contraponto necessário, aqui e em todos os poucos espaços que nos restaram nessa curva da história.

As pesquisas mostram que, apesar da continuidade do aparato midiático e da indústria de fakenews mantendo a cortina de fumaça sobre o que realmente está em jogo no País, nós não estamos mais em 1964 nem 1900. O mundo mudou. Os números apontam que 54% dos brasileiros são a favor das escolas ensinarem educação sexual, 71% são a favor do debate político ali, e quase 80% são a favor dos direitos LGBT. Porém em relação a medidas econômicas e direitos trabalhistas trazidas sob o manto de “modernização”, aí sim, muito estrago pode ser feito apesar de 60% dos brasileiros também serem contra privatizações, e 57% serem contra o corte de direitos trabalhistas e 75% serem contra a reforma da previdência. O fim do Ministério do Trabalho, e se vier também o fechamento da JT e do MPT as pedras cairão fortemente em muitos milhares de pessoas, levando-as à miséria e/ou situações análogas à escravidão. A virada exponencial para cima nos índices de mortes de ativistas, de camponeses, e de indígenas também transformaram essas pessoas em alvos das pedras que matam! Muitos sabiam o que pensava o presidente em toda a sua longa vida política, mas 57 milhões de pessoas decidiram pagar esse preço para ter um Pais sem corrupção, sem “mamatas”, sem “práticas da velha política”. Vamos ver até quando a cortina de fumaça vai impedir que essas pessoas vejam que pagaram, mas não levaram.

O Brasil hoje lembra uma música: “no balanço das horas tudo pode mudar”. Enquanto isso vamos contando os ossos, aliás, as pedras, e mostrando-as antes que caiam sobre as nossas cabeças.

 

Denise Carneiro, servidora da Justiça Federal.

 

Nota do SINDJUFE-BA

Artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da Diretoria da Entidade.